Com sobressaltos mas sem precalços: Kayo Dot + João Filipe & Henrique Fernandes
24 de Setembro - Passos Manuel, Porto
Antes do concerto a expectativa era muita, a dobrar: era a noite da estreia de Kayo Dot em Portugal e seria a primeira actuação de João Filipe e Henrique Fernandes enquanto duo - e muitos eram os presentes que não imaginavam, sequer, de quem se tratava.
Mal se abriram as portas e o público se instalou, tudo se esclareceu: um pega no contra-baixo, o outro senta-se na bateria. Apenas com isto fizeram música, muito dependentes de loops e de mil e um pratos, mas resultou. Foi uma mais valia e, sinceramente, não poderia haver uma melhor escolha para abrir para uma banda tão abstracta quanto Kayo Dot, pois mesmo eles não caíam num vulgo Jazz, mas também não andaram longe. No fim, levantou-se, meritoriamente, uma falsa questão: será que o Toby e a Mia fazem algo melhor?
Falsa porque, claro, foi a expectativa do que se viu a falar mais alto. Foi um aquecimento perfeito para os ouvidos e para os espíritos dos mais incautos e ainda satisfez os mais ávidos e ansiosos, só que aquilo que os americanos fizeram no palco do Passos Manuel foi verdadeiramente único.
Depois de estarem os cinco em cima do palco, de estarem todos preparados, Toby explicou logo o que se ia passar: iriam tocar dois sets diferentes, com uma pausa pelo meio. E, com sinal do compositor/vocalista/guitarrista e, acima de tudo, maestro dos Kayo Dot, começou a Marathon, a música de abertura de Choirs of the Eye. Foi, realmente, curioso verificar que nada nesta banda funcionaria sem Toby Driver, que não se limita a ser a mente por detrás da música e, quando em palco, dirige os quatro restantes músicos - excelentes músicos, todos eles - em todos os momentos da música.
Posto isto, Toby Driver dirigiu tudo naquela sala: os músicos pela música e o público através de uma viagem, que passou pelos três álbuns já editados. Uma viagem emocional e musical de quase duas horas e que impressionou toda a gente. O próprio encore foi curioso: cessaram os aplausos, mas ninguém arredou pé, talvez completamente demovidos pela intensidade, inquestionável, do que se passou no Passos Manuel. Demorou um pouco até que alguém percebesse que as regras mandam que se aplauda até ao regresso da banda. O presente, para todos, foi a bela Pitcher of Summer. E todos os presentes mereceram. Fotos AQUI
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