Fuck Buttons + Ninjas! 1 de Outubro - Galeria Zé dos Bois, Lisboa
Se falarmos em amor, não estamos a ser ousados. Se formos mais longe, e apostarmos em fazê-lo, é possível dizer que o concerto de Fuck Buttons, na Galeria Zé dos Bois (ZDB), em Lisboa, foi um verdadeiro orgasmo colectivo. Expectativa é um eufemismo para caracterizar a estreia dos ingleses, em Portugal.
A primeira parte estava nas mãos de Ninjas!, que fez jus ao nome e se arriscaram em acrobacias - com Bruno Silva a permanecer durante todo o concerto de cócoras. A actuação não podia ser melhor recebida e foi suficiente para aquecer o público e surpreendê-lo com as passagens constantes e envolventes de ruído sonoro e filtros de efeitos, principalmente tendo em conta o que se seguiu. A verdade é que Bruno Silva tinha um importante desafio, o de conseguir proporcionar uma actuação suficientemente boa para o duo britânico, e conseguiu superá-lo. Uma verdadeira proeza, digna de um dos míticos guerreiros nipónicos.
Com o espaço esgotado, quando o duo entrou e cena, o público, expectante, vibrou dentro do aquário da ZDB, onde suor era a palavra de ordem, mas ninguém parecia importar-se muito com isso. As hostes são abertas com Surf Solar, o single do mais recente Tarot Sport: histeria e êxtase tomam conta de quem há muito aguardava por este momento. A seguir, vem a dança: quase duas horas, em que tímpanos e corpo sofrem de prazer. Andrew Hung e Benjamin Power mal se olham, a química salta à vista, ambos têm a segurança do que estão a fazer, ambos sentem a música correr-lhes nas veias. Efeitos sobre efeitos, ruído sobre ruído e apenas houve uma vítima: a melodia das músicas, muito mais intensa em casa, passou para segundo plano numa actuação em que a intensidade se conseguia com as camadas de som - fórmula completamente eficaz e que em minutos levou o público a render-se às evidências. Os Fuck Buttons entregaram-se à sua música, a audiência ficou nas suas mãos, dançou e acompanhou-os nas suas investidas, nos seus gritos e mesmo nas suas tentativas de dança, mesmo debaixo do olho de Hung, que esteve sempre a observar a audiência e as suas reacções; Power, por seu lado, preferia degostar cada segundo de música, cada camadinha de som e extravazar num timbalão de chão.
O que aconteceu foi claro: uma comunhão, suor, movimento, intensidade. Chamem-lhe o que quiserem, mas foi recíproco. O agradecimento do público foi um enorme aplauso, o dos Fuck Buttons foi a Sweet Love for Planet Earth, que não chegaram a tocar no Porto. Valeu a pena ir à ZDB no dia 1.
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