Mais um concerto em Portugal e mais uma sala cheia: a estreia das
Telepathe por estes lado não podia ter sido mais surpreendente, principalmente para elas. Depois de terem esgotado a ZDB, em Lisboa, e de terem enchido o Plano B, no Porto, repetiram a proeza em Coimbra e encheram o Via Club.

Depois do atraso da praxe, começaram a sua actuação com
Chrome’s On It e não a interromperam até a darem por terminada, com o badalado single
So Fine; no fundo deram um concerto algo à moda de um DJ Set: sempre a andar, não tirando os olhos do que estavam a fazer, salvo para um ou outro rápido agradecimento, mostrando que tudo o que estava a ser tocado foi preparado até ao mais ínfimo pormenor. E nada falhou, realmente: o duo tocou quase todo o álbum
Dance Mother, como não podia deixar de ser, e fizeram jus ao título deste trabalho, tão aclamado pela crítica – mostraram que as suas músicas em concerto são verdadeiramente dançáveis. Muito graças à postura tímida com que se apresentaram, as
Telepathe conseguiram criar um ambiente íntimo que muitas vezes parece impossível de conjugar com um ambiente festivo.
As
Telepathe protagonizaram uma grande noite que pecou pela posição solitária das visitantes americanas – não se perdia nada com uma banda de suporte para aquecer o ambiente, tendo em conta que a dupla tocou durante pouco mais meia-hora.
Com uma tão curta actuação conseguiram várias proezas e só é realmente de lamentar que o público não se tenha deixado levar pela música mais cedo. Temo exagerar ao dizer que a química que existe entre
Busy Gangnes e
Melissa Livaudais (algo indiscutível e que ficou claro bem no início do concerto) se estendeu à audiência, mas, caso não tenha acontecido, pouco faltou, admita-se.