Escrito por André Forte/ Fotos: Lais Pereira   
16-Nov-2009

Prayer Fest: Minsk + A Storm of Ligh + Black Sun + Altar of Plagues


15 de Novembro - A.R.M.S., Sacavém

Em Sacavém, vestia-se de negro. O primeiro dia da que se espera que seja apenas a primeira sessão do Prayer Fest era mote para todas as indumentárias que enchia a Academia Recreativa e Musical de Sacavém (ARMS) e que lhe dava uma vida que não se adequava, de todo, ao espaço.

Mas, uma vez no recinto dos concertos, uma sala ampla com um palco ao fundo – perfeito para teatro e bem adaptada para estes concertos. Pecava apenas na falta de luz, algo que na realidade pode até resultar muito bem, como se verificou em Altar of Plagues. A ausência de luz acrescentou muito ao ambiente dos irlandeses que, na forma de vultos, mostraram uma grande entrega. No entanto, o concerto ficou algo aquém de um álbum tão bom quanto White Tomb, principalmente devido a dificuldades técnicas: um dos guitarristas partiu cordas no seu instrumento e o som estava pouco claro, o que não permitia que se distinguisse os pormenores das guitarras, que é o que torna o som de Altar of Plagues tão distinto.

Os escoceses Black Sun que se seguiram conseguiram o primeiro milagre da noite: o de porem a audiência a mexer-se como deveria acontecer num concerto de Metal clássico. Houve headbanging, alguns esboços ridículos de mosh pit e alguma guedelha pelo ar, precisamente como mandam as normas. A reacção do público mostra, precisamente, que apesar de alguns momentos lentos e pesados os Black Sun eram a banda mais deslocada da noite, dada a um género que nada deve ao jogo de ambientes que caracterizavam as restantes três. Os escoceses foram, por isso, um momento de estranheza musical muito bem recebido.

Em boa verdade e com justeza, a noite começou com A Storm of Light que, com uma parelha de músicos algo diferente da que apresentaram em Maio por este mesmo país, sozinhos representaram quase metade do peso que se fez sentir naquela noite de domingo. Com um novo baterista – menos mecânico que o anterior – e com mais um guitarrista – segundo guitarrista de Wolves in the Throne Room, para ser mais preciso – a música ganhou muito mais densidade e, consequentemente, mais peso. Musicalmente, este concerto superou em muito o anterior que vimos, muito também porque a voz do Josh Graham, muito mais saturada com efeitos, resultou muito melhor. No entanto, essa mesma saturação de efeitos na voz e de distorção nas guitarras e baixo acabou por tornar o concerto mais difícil, mas mesmo aqui os americanos não falharam: apresentaram um alinhamento muito mais curto (cerca de 35 minutos) e mais centrado no novo Forgive Us Our Trespasses. Sobre a qualidade dos vídeos não há muito que eu possa dizer – quem mexe com letras fica impressionado com qualquer videozinho bem feito –, mas falar de A Storm of Light sem referir os filmes que os acompanham seria um delito. Do pouco que posso dizer, parece-me que as projecções que Josh Graham e companhia trouxeram na tour anterior era menos banais e ligavam-se de forma mais clara ao imaginário da músicas, o que contribuía muito para o ambiente e que não resultou tão bem desta vez.

Os Minsk, que ficaram para o fim, acabaram por ser os protagonistas da noite, pelas melhores e pelas piores razões. O quarteto americano entrou em grande no concerto e com apenas três músicas superou todas as actuações anteriores (e sublinhe-se que a de A Storm of Light, principalmente, tinha sido uma actuação digna de destaque). Com apenas três músicas porque, devido às licenças tiradas para o evento, o concerto, que tinha de acabar à meia noite, foi interrompido pela polícia – cuja actuação não vou questionar, até porque não interessa para a música (até porque não foram para lá com os apitos em riste). Só com muita relutância e por amizade ao promotor é que os Minsk pousaram os instrumentos e deram por terminado, após uma Three Moons devastadora, de não deixar ninguém indiferente. Aliás, as duas músicas anteriores, ambas do mais recente With Echoes in the Movement of Stone, foram igualmente memoráveis. Resultado: não há quem não tenha ficado chateado. Pelo andar da carruagem, os americanos iam lançados para um dos concertos mais marcantes do ano. Foi uma pena. Em conversa com o baterista da banda, aquele que mais vontade demonstrou de continuar com o concerto (continuou a tocar mesmo depois de terem desligado o PA), que o que os levou a parar foi saberem que quem iria arcar com as consequências seria o promotor Pedro Mendes. No entanto, um regresso ficou no ar, sem certezas, mas a vontade existe. Esperemos que se concretize.

Agora resta esperar pelo regresso do segundo dia do Prayer Fest, no próximo dia 17.

 

 

Fotos:

Althar of Plagues @ A.R.M.S. [15 de Novembro de 2009] 

 

Black Sun @ A.R.M.S. [15 de Novembro de 2009] 

 

A Storm Of Light @ A.R.M.S. [15 de Novembro de 2009] 

 

Minsk @ A.R.M.S. [15 de Novembro de 2009] 

 

 

 

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