Escrito por Gonçalo Mira/ Fotos por Joana Teixeira   
08-Jul-2009

Yann Tiersen

Lisboa, CCB – 06 de Julho de 2009

 

Depois dos concertos na Figueira da Foz, no dia 4, e em Vila Nova de Famalicão, no dia 5, Yann Tiersen viajou até à capital para o terceiro concerto da tour por terras lusas. Três dias consecutivos, três salas esgotadas.


O Centro Cultural de Belém recebeu calorosamente o músico francês, célebre sobretudo pelas bandas sonoras dos filmes Le fabuleux déstin d’Amélie Poulain e Good Bye Lenin!. Contudo, à semelhança do que acontecera nos concertos da Figueira e de Famalicão, parte do público que celebrou efusivamente a entrada dos músicos em palco não mostrou o mesmo entusiasmo ao longo do concerto. E como nas outras duas salas, houve várias pessoas a sair antes do final do espectáculo.

Isto acontece, provavelmente, por causa das duas famosas bandas sonoras. Muita gente espera ver ainda um Yann Tiersen ao piano ou de acordeão ao peito. Muitos esperam mesmo que o músico francês toque as músicas desses filmes, mesmo tendo em conta que já passaram vários anos e que, depois disso, Yann Tiersen já lançou diversos trabalhos. E aquilo com que se deparam é um concerto rock, com laivos de post-rock. Yann Tiersen agarrado à sua guitarra (que, em algumas músicas, substitui pelo violino) e com os pés certeiros a pisar os pedais de efeitos, acompanhado de mais quatro músicos: guitarra, baixo, bateria e teclas. Uma banda rock.

 
Quem não estava preparado para isto, ou quem conhecia apenas o lado “clássico” de Yann Tiersen, ficou desiludido. O que não quer dizer que não tenha havido muita gente a vibrar com o concerto. E quando a banda saiu do palco, foi ruidosa a manifestação do público pedindo um encore.

Mas se é verdade que este lado selvagem de Yann Tiersen foi apreciado por muita gente, também é verdade que a ovação da noite se ouviu após um solo de violino de Yann Tiersen, interpretando a faixa da banda sonora de Amélie, Sur le fil. E se é verdade que este é o trabalho mais conhecido do músico francês, também é verdade que quase ninguém pareceu reconhecer La Valse d’Amélie na última música tocada no encore.

Acrescente-se a tudo isto o facto de Yann Tiersen se ter apresentado muito tímido e pouco comunicativo (disse apenas “obrigado” três ou quatro vezes) e o facto de a sala não ser apropriada para aquele concerto. A energia que transbordava da música merecia o público de pé, a saltar, a dançar – qualquer coisa que não fosse estar sentado, impávido, perante um concerto electrizante.

Ou seja: não fora parte do público não saber ao que ia e o espaço não ser o mais apropriado para extravasar emoções e teria sido um grande concerto de rock. Para quem se conseguiu abstrair de todos os inconvenientes, valeu a pena.
 
 

 

 

 

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